A fase mais decisiva da temporada da Champions League está prestes a começar. Quatro times, quatro jogos, uma final, no dia 30 de maio, em Budapeste. Na terça-feira, o PSG recebe o Bayern em Paris; na quarta, o Atlético de Madrid enfrenta o Arsenal em Madri. E, se são os deuses do futebol que definem os confrontos, ficou claro que eles estavam excepcionalmente criativos nesta temporada.

Duas semifinais tematicamente perfeitas

O analista de futebol da ESPN Bill Connelly resumiu a essência dessas semifinais em uma única frase: "Não dá para dizer que os deuses do futebol não nos deram dois confrontos de semifinal da Champions League tematicamente perfeitos."

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De um lado, o Bayern de Munique, dono do melhor ataque da Europa. Do outro, o PSG, time com o melhor jogo de posse de bola e o segundo melhor ataque do continente. Os dois marcaram 38 gols nesta edição da Champions League, a maior marca do torneio.

Na outra semifinal, o Arsenal, dono da melhor defesa da Europa (38 gols sofridos em 54 jogos somando todas as competições). O adversário é o Atlético de Madrid, provavelmente o melhor time defensivo da última década. Os deuses do futebol, pelo visto, são admiradores da simetria.

O caminho até Budapeste: o novo capítulo de PSG x Bayern e a guerra de estilos entre Arsenal e Atlético

PSG x Bayern: um duelo de estilos

O jogo de terça-feira em Paris é uma final antes da final. É um confronto entre duas filosofias de futebol completamente diferentes.

O PSG de Luis Enrique pratica um futebol construído sobre o brilho individual de Ousmane Dembélé, Désiré Doué e Khvicha Kvaratskhelia. O 4-3-3 de Enrique se apoia em ritmo, posse de bola e caos no terço final do campo. Na temporada passada, o time provou que a fórmula funciona ao levantar a taça da Champions League.

O Bayern, na segunda temporada de Vincent Kompany, é diferente: disciplina tática e um 4-2-3-1 que se transforma em sistemas distintos contra cada adversário. Harry Kane (53 gols em 45 jogos na temporada) segue como a arma principal. Na fase de quartas de final, o time eliminou o Real Madrid com 6 a 4 no placar agregado, com direito a vitória no Santiago Bernabéu pela primeira vez desde 2012.

Há um obstáculo para os alemães: Kompany recebeu suspensão de um jogo, sem poder ficar à beira do campo, por infrações disciplinares nas quartas de final. O auxiliar dele vai comandar o time do banco no Parc des Princes.

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O caos de Simeone contra a ordem de Arteta

O jogo de quarta-feira é uma história à parte. O futebol no Riyadh Air Metropolitano não vai lembrar em nada o que o Arsenal vem jogando nos últimos meses.

O Atlético de Diego Simeone é físico, muitas vezes agressivo e taticamente "sujo". O que no futebol se conhece como "artes sombrias" ("Dark Arts") — cera, faltinhas e provocações — é justamente o estilo que Simeone aperfeiçoou. Do outro lado está o Arsenal de Mikel Arteta: organizado, disciplinado e estruturado. Um time que responde ao futebol emocional com o controle das emoções.

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Técnicos de um clube só, filosofias opostas

Simeone e Arteta são figuras fascinantes. Os dois são "técnicos de um clube só": Simeone está no Atlético há 14 anos, e Arteta, no Arsenal há 6. Ambos reconstruíram seus clubes à própria imagem.

* Simeone é uma figura carismática: emotivo, barulhento e agitado. O time dele é uma extensão do estilo "Cholismo".

* Arteta é exatamente o oposto: calado, contido, acadêmico. Um produto da escola de Pep Guardiola.

Não é apenas um duelo tático. É o choque entre duas visões opostas de futebol.

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A revanche do Atlético

O Atlético ainda não esqueceu o que aconteceu em outubro. Na fase de liga, o Arsenal atropelou o time de Simeone por 4 a 0 no Emirates. Foi uma das derrotas mais pesadas do Atlético na história recente.

Desde então, o time de Madri entrou em pé de guerra e eliminou Club Brugge, Tottenham e Barcelona (3 a 2 no agregado). Agora, o Arsenal bate à sua porta, mas o clima no Metropolitano será bem diferente do encontro de outubro.

O que dizem os números

A avaliação subjetiva do futebol encontra o mundo frio dos números:

* Polymarket: o Bayern de Munique é o favorito ao título (36,5% de probabilidade). Arsenal e PSG aparecem empatados, com 26,5%.

* Modelo da Opta: aponta para o Arsenal (29,95%), citando o domínio nas estatísticas de fundo, apesar das recentes preocupações com lesões.

A final, em Budapeste

No sábado, 30 de maio, a final da Champions League será disputada na Puskás Aréna, em Budapeste. Com capacidade para 67 mil pessoas, o estádio que leva o nome do lendário Ferenc Puskás vai receber sua primeira final de Champions League.

Quatro times estão a caminho de Budapeste. Restam quatro jogos. E só dois vão sobreviver.