Argentina está pronta, Scaloni está pronto. Falta só uma voz: a de Messi
Faltam um mês e meio para a Copa do Mundo. A Argentina é a atual campeã. Vinte e uma vagas definidas, cinco ainda em aberto. E uma pergunta que ninguém consegue responder até agora: Lionel Messi vai mesmo jogar?
Se a resposta for não, o roteiro todo muda. Se for sim, o futebol terá a maior despedida de sua história.
PatrocinadoMessi não disse uma palavra. O mundo espera.

A DECISÃO É DELE
Scaloni tem sido claro. Em toda entrevista coletiva, a mesma mensagem.
"Vou fazer tudo o que puder para que ele esteja lá. Ele tem que estar lá, pelo bem do futebol. Mas a decisão não é minha. Depende dele, de como se sente no corpo e na cabeça. Ele conquistou o direito de tomar o tempo que precisar. Seja qual for a decisão, nós confiamos nela."
E Messi? Quase não falou nada.
Em setembro de 2024, ele praticamente fechou a porta: "Eu já disse antes que não acho que vou jogar outra Copa do Mundo. Na minha idade, o mais lógico é que eu não chegue lá."
Em outubro de 2025, na inauguração da "Leo Messi Stand" no Nu Stadium, do Inter Miami, o tom mudou: "É algo extraordinário fazer parte de uma Copa do Mundo, e eu adoraria estar lá. Quero me sentir bem, ajudar a equipe se puder. Vou levar dia após dia quando a pré-temporada começar e ver se consigo chegar a 100%."
O calendário conta sua própria história. Messi completa 39 anos em 24 de junho, oito dias depois do início do torneio. Ele terá 38 anos na estreia contra a Argélia, em Kansas City, no dia 16 de junho. Ainda 38 no segundo jogo, contra a Áustria, em 22 de junho. Mas na última partida da fase de grupos, contra a Jordânia, em 27 de junho, já terá 39. E, se a Argentina chegar à final, em 19 de julho, ele seria um jogador de 39 anos levantando a taça.
Pouquíssimos jogadores atuaram em uma Copa do Mundo com 39 anos ou mais: Dani Alves, Rafael Márquez, Stanley Matthews, Pepe. Messi já é o recordista de jogos em Copas. Foram 26 partidas. Ninguém jogou mais.

SCALONI TEM 21 NOMES, E O RELÓGIO DA FIFA CORRE
A seleção não está esperando. Segundo a ESPN Argentina, Scaloni já fechou 21 dos 26 nomes da lista final. Restam cinco vagas, e a disputa é forte.
A base é basicamente a do grupo da Copa de 2022. Emiliano Martínez (Aston Villa) no gol, vencedor da Luva de Ouro em Doha. Cristian Romero (capitão do Tottenham) e Nicolás Otamendi (Benfica) na defesa. Tagliafico (Lyon) e Molina (Atlético de Madrid) nas laterais. De Paul (Atlético), Mac Allister (Liverpool), Enzo Fernández (Chelsea) e Paredes (Boca Juniors) no meio-campo.
No ataque, Lautaro Martínez (Inter de Milão), Julián Álvarez (Atlético de Madrid) e Nicolás González (Juventus). Além do próprio Messi.
O mesmo núcleo que levou o título há quatro anos. Sem revolução, só ajustes.
Os prazos estão próximos. A pré-lista da Argentina, com 35 a 55 jogadores, vai para a Fifa até 11 de maio. A lista final, com 23 a 26 nomes, deve ser entregue até 30 de maio. Doze dias antes da bola rolar.
Messi estará em pelo menos uma dessas listas.
OS NOVOS ROSTOS: MASTANTUONO, PAZ, BARCO
É aqui que a coisa fica interessante. A nova geração argentina está batendo à porta.
Franco Mastantuono. Dezoito anos. Saiu do River Plate para o Real Madrid no verão passado. Meia-atacante, técnica absurda. Scaloni o vê como parte do projeto de longo prazo.
Nico Paz. Vinte e um anos. Temporada de afirmação no Como, formado na base do Real Madrid. Rápido, preciso, lê bem o jogo. A novidade mais empolgante da Argentina no meio-campo em anos.
Valentín Barco. Vinte e um anos. Joga no Strasbourg, na Ligue 1, depois de uma transferência definitiva do Brighton em julho de 2025. Lateral-esquerdo com grande capacidade técnica.
Alejandro Garnacho. Vinte e um anos. Agora é ponta do Chelsea, depois de uma transferência de 40 milhões de libras vindo do Manchester United em agosto de 2025. O talento é evidente. Mas a vaga na Copa? Não está garantida.
Pelo menos um deles, talvez dois, estará entre os 26.

LESÕES QUE MUDARAM TUDO
O quadro do elenco sofreu um golpe este ano. E dos grandes.
Juan Foyth, zagueiro versátil do Villarreal e integrante do grupo campeão em 2022, sofreu uma lesão grave que encerrou sua temporada. Giovani Lo Celso, também no Villarreal, por empréstimo, rompeu o quadríceps. Valentín Carboni está fora com uma lesão no joelho.
Três jogadores do nível do elenco. Todos fora.
Sem Foyth, as vagas de zagueiro reserva são disputadas por Leonardo Balerdi, do Olympique de Marselha, Marcos Senesi, do Bournemouth, e Lautaro Rivero, do River Plate. Lisandro Martínez se recupera aos poucos no Manchester United após uma lesão de longa duração, mas ninguém sabe se estará pronto.
Quem fará dupla com Romero e Otamendi vindo do banco? Esse é um dos maiores debates que restam antes da divulgação da lista.
ARGENTINA SEM MESSI: ELA CONSEGUE
Aqui está o que Scaloni não diz em voz alta, mas os números dizem por ele.
Desde a Copa de 2022, a Argentina jogou 11 partidas sem Messi, quase sempre por lesão. Perdeu duas: para Colômbia e Equador, pelas Eliminatórias. Venceu as outras nove.
Scaloni foi direto: "A equipe pode jogar do mesmo jeito com ou sem o Leo agora. Antes isso era mais difícil, a gente tinha que mudar coisas. Agora não. Isso é positivo."
Esta não é a Argentina de dez anos atrás, em que sem Messi não havia ideias. Este grupo tem estrutura, profundidade, confiança. Se Messi jogar, será a cereja do bolo. Mas a equipe não precisa dele para funcionar.
E isso, curiosamente, torna a decisão dele mais fácil. Ele não precisa jogar porque a Argentina está desesperada. Só precisa jogar se quiser.
A seleção já montou acampamento. Kansas City é a base, com treinos no Compass Minerals National Performance Center, o centro de treinamento que o Sporting KC usa todos os dias. A estreia será no Arrowhead Stadium, casa do Chiefs, da NFL. Logística resolvida. Instalações reservadas. Tudo planejado.

UMA OPORTUNIDADE HISTÓRICA
E é isso que faz tudo parecer muito maior do que um simples torneio.
Se Messi disser sim, e a Argentina for campeã, será algo que o futebol não vê há 64 anos. Nenhuma seleção conquista duas Copas seguidas desde o Brasil, em 1962.
Aquele Brasil de Pelé, Garrincha, Gilmar e Didi defendeu o título no Chile depois de vencer na Suécia quatro anos antes. Desde então? Ninguém. A Alemanha foi campeã em 1990 e caiu nas quartas em 94. O Brasil ganhou em 2002 e saiu nas quartas em 2006. A Itália venceu em 2006 e foi eliminada na fase de grupos em 2010. A França levou em 2018 e perdeu a final de 2022 para a Argentina.
Sessenta e quatro anos. Ninguém conseguiu.
E agora um jogador quase com 39 anos pode ser quem quebra essa sequência. Messi levantando a taça aos 35 no Catar e de novo aos 39 na América do Norte, com dois elencos completamente diferentes. Só Pelé está nessa categoria. Mais ninguém.
É por isso que a Argentina espera. É por isso que o Inter Miami observa. É por isso que Scaloni repete que "depende dele".
Um sim, e a dança final começa.
Um não, e a história muda.
Messi segue calado. Faltando um mês. Tudo está prestes a esquentar.




