"Nenhum desses jogadores, nenhum dos jogadores franceses quer jogar essa partida. Eles querem jogar a final. Demos tudo para estar na final", admitiu Thomas Tuchel, e as palavras do técnico da Inglaterra resumem o clima com que França e Inglaterra entram em campo em Miami. Os dois chegam feridos. A França foi derrotada por 2 a 0 pela Espanha na semifinal, a Inglaterra caiu por 2 a 1 diante da Argentina após uma noite de viradas até o último minuto, e, para muitos dos jogadores envolvidos, a decisão do terceiro lugar é mais uma obrigação do que uma ocasião especial. Mesmo assim, há dinheiro de verdade em jogo. O vencedor leva 29 milhões de dólares, dois milhões a mais do que quem termina em quarto.

A disputa mais acirrada é pela Chuteira de Ouro, e Kylian Mbappé está a um gol da história. Ele tem oito gols, igualado a Lionel Messi, embora a Argentina esteja à frente em assistências. Aos 27 anos, o atacante chegou a 20 gols em Copas do Mundo, um a menos que o recorde de Messi. A Inglaterra também ainda tem artilheiros na briga: Harry Kane e Jude Bellingham têm seis gols cada. E o confronto tem tradição nisso. Foi numa disputa de terceiro lugar que Just Fontaine estabeleceu a marca que ninguém alcançou desde então, ao marcar quatro gols na Alemanha em 1958. A história espera.

Os dois lados enxergam a noite de forma diferente. Tuchel a trata como uma tarefa. Didier Deschamps, não. "Há um terceiro lugar para disputar, então vamos fazer tudo o que pudermos para conquistá-lo", insistiu o técnico de 57 anos. Para ele, é o fim de uma era: ele deixa o comando da França após 14 anos. Os dois treinadores vão rodar o elenco e dar minutos a reservas, mas, para os homens que cruzam a linha branca, é a última chance de jogar pela posição de seu país e por si mesmos. É mais do que um jogo encaixado antes da final.
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