Sir Alex Ferguson comandou uma geração inteira de lendas ao longo de 26 anos no Manchester United. Mas, quando foi convidado a apontar os jogadores de "classe mundial" que treinou, citou apenas quatro. David Beckham não estava entre eles.

Em sua autobiografia de 2015, Leading, escrita em parceria com Sir Michael Moritz, Ferguson cravou uma frase que chocou o mundo do futebol:

"Na minha opinião, só existem dois jogadores de classe mundial em atividade hoje: Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. Não pretendo diminuir nem criticar nenhum dos grandes ou ótimos jogadores que atuaram comigo durante meus 26 anos de United, mas só quatro foram de classe mundial: Cantona, Giggs, Ronaldo e Scholes."

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Sobre Cristiano Ronaldo, completou: "E, dos quatro, Cristiano era como o enfeite no alto da árvore de Natal."

Clube seleto: como Beckham e Ferdinand reagiram ao 'esquecimento' de Ferguson na lista de jogadores de classe mundial

Quem ficou de fora

A lista de "classe mundial" de Ferguson deixou de fora lendas como Wayne Rooney, Roy Keane, Ruud van Nistelrooy, Rio Ferdinand, Nemanja Vidic e Peter Schmeichel. Jogadores que muitos chamariam tranquilamente de classe mundial não atingiram o padrão de Ferguson.

Questionado especificamente sobre os zagueiros, Ferguson defendeu suas escolhas com um argumento histórico marcante:

"Nas últimas 50 edições da Bola de Ouro, só dois defensores ganharam o prêmio. É discutível como você classificaria Franz Beckenbauer, porque eu diria que ele era o armador do time do Bayern e da grande seleção alemã. O único defensor foi [Fabio] Cannavaro. Ele é o único defensor que ganhou em 50 anos, então alguém está certo — e é tudo questão de opinião, diga-se de passagem. É a minha opinião, e acho que tenho bagagem para isso!"

Ou seja, o argumento de Ferguson não era de que ele desprezava os defensores — e sim de que o mundo do futebol inteiro vinha desprezando a posição havia meio século.

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A resposta de Beckham

Em 2015, a BBC News perguntou a Beckham se ele tinha se sentido ofendido por ficar fora da lista de seu ex-treinador.

A resposta de Beckham foi pura classe:

"De jeito nenhum. Joguei pelo maior treinador de todos os tempos, pelo tempo que joguei. Tive a sorte de atuar ao lado dos jogadores com quem atuei, naquele time, e de ter sucesso no clube que eu amava e que ainda amo."

"Costumo concordar com o treinador, existem certos jogadores que podem ser chamados de classe mundial. Felizmente, joguei com muitos deles."

Por que Beckham ficou de fora

A relação entre Ferguson e Beckham era complicada. Ferguson acreditava que, em seus últimos anos no United, Beckham perdeu o foco por causa do status de celebridade global. Ao fim da temporada 2002-03, Ferguson decidiu vendê-lo — Beckham foi oficialmente para o Real Madrid em 1º de julho de 2003, por 25 milhões de libras, depois de o Manchester United ter inicialmente fechado um acordo com o Barcelona.

Naquele mesmo verão europeu, Ferguson tomou um rumo decisivo em outra direção. Depois de um amistoso de pré-temporada contra o Sporting CP, em Lisboa — no qual um ponta de 17 anos deitou e rolou em cima dos defensores do Manchester United —, o adolescente português estava em um avião rumo a Manchester poucos dias depois. Seu nome era Cristiano Ronaldo, e ele herdou a icônica camisa 7 de Beckham.

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Ferdinand não levou tão bem

Nem todas as lendas lidaram com a ausência com a elegância de Beckham. Rio Ferdinand escreveu um longo texto no Facebook tentando redefinir o que "classe mundial" realmente significava:

"Sir Alex Ferguson citou 4 jogadores da época dele no MUFC como sendo 'de classe mundial' (cadê o meu, entre alguns outros nomes, chefe!!). O que faz alguém ser de classe mundial? Um defensor consegue dominar todo tipo de atacante, consegue influenciar os outros a render mais, ele fala em campo, é um líder, tem regularidade, aparece nos jogos grandes, tem coragem, sabe jogar/passar...?"

E concluiu: "Enfim, o debate continua... Quem é DE CLASSE MUNDIAL?!?!? O que é CLASSE MUNDIAL!?!?!?!"

Muitos enxergaram ali uma reação de quem ficou magoado — Ferdinand parecia mais ferido do que estava disposto a admitir. Beckham, por outro lado, provou que classe não se mostra só dentro de campo.